No dia em que se soube da tragédia que assolou os países asiáticos na sequência do maior tremor de terra dos últimos 50 anos e das subsequentes tsunamis que causaram aquela que é já considerada como a maior catástrofe natural no espaço de 1 século, foi entrevistado, senão me engano na RTP 1, um médico português, de cujo nome infelizmente não me recordo, responsável pelo INEM e que, directamente de Coimbra, nos dava conta da sua vasta experiência em situações de calamidade porque há 2 anos havia coordenado a equipa de médicos portugueses que deu apoio ao tremor de terra devastador que afectou o Irão.
Interrogado sobre a dimensão da tragédia e os efeitos secundários de tantos cadáveres a flutuar na água, em países de clima quente e condições sanitárias nem sempre perfeitas, questionado sobre o perigo de propagação de infecções, o nosso especialista respondeu do alto da sua sabedoria que isso não passava de um mito.
"O mito da propagação das doenças". Um mito dizia ele, porque tal nunca acontecia e a opinião pública tinha sempre tendência para especular sobre esse assunto.
Um mito ...
Presumo pois que o nosso especialista esteja já a caminho da Tailândia ou do Sri Lanka para explicar a sua teoria sobre mitos às autoridades sanitárias e militares daqueles países, à Cruz Vermelha Internacional e aos outros organismos, cujas equipas que no terreno, com máscaras sobre a cara para conseguirem suportar o cheiro e as infecções, lutam contra o tempo a tentar conciliar a identificação dos corpos, a localização dos familiares e o tratamento temporário dos cadáveres antes de eminentes e perigosas epidemias começarem a alastrar...
Um mito, dizia ele...
Publicado por castafiore em dezembro 31, 2004 12:34 AM