fevereiro 22, 2005

Traduções ou se calhar não...

Há muitos anos, quando estudava literatura anglo-saxónica no Bristish Council, li um livro de um escritor americano, de seu nome J. D. Salinger, chamado "Tha catcher in the rye" de que gostei bastante. O livro é um clássico da literatura norte americana dos anos sessenta e narra os problemas da adoslecência, na pessoa do seu herói, um rapaz de 16 anos, em plena crise, psicologicamente perturbado e a atravessar todas as angústias, dúvidas, temores e certezas pelas quais todos passamos naquela idade. O dito personagem, em determinada fase da história, e colocado face ao dilema do que gostaria de ser em idade adulta, profissionalmente falando, diz que se imagina muita vezes num campo de cevada ("rye"), colocado à beira de um abismo e onde diversas crianças correm em todas as direcções; a sua função seria apanhá-las, evitando que caissem e garantindo, assim, a sua segurança. Integrado no perfil que dele é traçado e na história, esta alegoria faz sentido e percebemos uma personalidade arrogante e desafiante de tudo e de todos mas que acima de tudo quer ajudar aqueles que mais precisam. A sua ambição é ser o "catcher in the rye".

Anos depois voltei a ler o livro e confirmei que realmente era muito bom.

Passado algum tempo, a deambular numa livraria (um dos meus sítios preferidos para deambular), constatei que o livro, na sua tradução portuguesa, tinha recebido o título de "A agulha no palheiro", o que de alguma forma, e para quem o leia, acaba (com alguma boa vontade, há que admiti-lo...) por fazer sentido e ser uma tradução ainda mais metafórica do que a própria metáfora que ele representa. Mas imaginando-me a mim própria a ter de traduzir o título e perante alguma dificuldade pois nada parecia ser tão subtil e tão forte como o título origunal, acabei por aceitar aquela versão.

Recentemente, porém, descobri uma nova edição, da DIFEL, há que dizê-lo, e lamentavelmente não pude verificar de quem é a tradução, porque o ataque de riso que me acometeu impediu-me de qualquer outra acção. É que a nova versão chama-se: À ESPERA NO CENTEIO...

Não que não seja uma tradução exacta, mas...

Publicado por castafiore em fevereiro 22, 2005 10:57 PM
Comentários

Bem, nisto das traduções, basta estar atento aos títulos cinematográficos! Às vezes sai cada uma...

Saudações

Afixado por: Carriço em fevereiro 22, 2005 11:42 PM

O livro é magnífico! Estive a comparar um bocadinho as duas traduções e fiquei com a impressão que a primeira ("Uma agulha no palheiro") era mais clara. Esta edição ainda continua disponível no mercado. Não percebo porque a nova edição não retoma o título da anterior.

Afixado por: Pedro Lisboa em março 31, 2005 12:56 PM

Tanto querem inovar que só sai asneira. É o que dá ter gente incapaz à frente de editoras...

Afixado por: castafiore em abril 1, 2005 12:19 AM