... milhões de árvores em todo o mundo são plantadas acidentalmente por esquilos que enterram as suas nozes e depois não se lembram onde as esconderam.
Pois é! Amanhã vou de férias! :-) Para os Açores, até ao fim do mês.... :-) Como estou proibida de levar o portátil, :-( , não sei se consigo deixar aqui algumas notas entretanto.... Logo se vê...
Porque é que os pilotos Kamikaze usavam capacete?
Para quem gostar de comida japonesa e para os apreciadores de experiências gastronómicas sem medo de experimentar novos sabores, aqui fica uma ideia de um restaurante bem simpático, pequeno e com um ambiente giro.
Se calhar mais apetecível no Inverno do que no Verão, já que tem uma lareira que não é apenas decorativa, mas que com a simpatia dos empregados, o facto de ser completamente despretensioso e a qualidade da comida vale a pena.
Fica na R. de São Caetano, n.º 39 (na Lapa).
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
(Porque, Sophia de Mello Breyner Andresen)
Tão pouco tempo passado sobre a morte dessa mulher extraordinária, sob tantos aspectos, como foi Sophia de Mello Breyner Andresen, achei curioso recuperar um artigo que um dos seus filhos sobre ela escreveu há 5 anos atrás.
Uma carta de amor integralmente merecida e a melhor homenagem possível de um ser humano para outro, de um filho para uma mãe.
O título que Miguel Sousa Tavares deu ao seu artigo não foi o mesmo com que "baptizei" este post; preferi realçar a frase por ele escrita e que melhor pode definir uma pessoa como ela era: só o olhar não mente e todo o real é verdadeiro.
Com muitas saudades...
E Ela Dança
Às vezes, quando a casa estava adormecida à noite, ela dançava pela sala fora, tal qual como escreveu ("bailarina fui mas nunca bailei"). Às vezes, convencia-se que havia ladrões em casa e acordava-me do sono para espreitar debaixo da minha cama, e às vezes havia ladrões a sério, com cara de assassinos e crachá da PIDE, que chegavam pela alvorada do dia, mas verdadeiramente ela não tinha medo dos ladrões nem dos esbirros do "velho abutre": só tinha medo de fantasmas.
Naquela casa, aprendemos cedo duas coisas sobre a poesia. A primeira, era que os poetas eram todos uns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes. De todos, o mais fantástico era o Ruy Cinatti, que nos convenceu que era o nosso irmão mais velho, regressado de outra vida em Timor e que esteve à beira de conseguir transformar-nos em guerrilheiros contra a precária disciplina familiar. Vinham e iam constantemente poetas tristes ou alegres, cerimoniosos ou tumultuosos e até um, o Ruy Belo, que me levava à Luz ver o Benfica e jogava futebol comigo no jardim.
A segunda coisa sobre poesia que aprendemos é que a poesia é para ser dita e para ser escutada: é oral, não cabe nos livros. Eu não sabia nada de aritmética, nem de botânica ou mineralogia mas, aos dez anos, já tinha aprendido, de ouvido, a recitar sonetos de Shakespeare em inglês do século XVI, ou o "Erl König", do Goethe, em alemão. E quando ela trouxe para casa um disco com poemas do Lorca recitados em espanhol pela Germaine Montero, ouvi-o tantas, tantas vezes, que fiquei a saber de cor o imenso "Llanto por Ignácio Sanchez Mejia". À mesa, entre a sopa e o prato principal, dentro de um automóvel a caminho do sul ou na missa das sete da tarde na Igreja da Graça, de repente ela começava a recitar poesia com a mesma naturalidade com que os outros falavam de coisas triviais ou respondiam em latim ao "orate, frates!" do padre. Às vezes, naquele terror que as crianças têm que os pais pareçam estranhos em público, apetecia enfiarmo-nos pelo chão abaixo quando, à mesa de um café no Chiado, ou numa loja, em plenas compras de Natal, ou caminhando connosco pela rua de mãos dadas (por vezes, distraída, perdia-nos), ela começava a recitar poesia em voz alta, como se o mundo inteiro à sua volta lhe fosse de repente absolutamente alheio. Um dia, no eléctrico a caminho de casa, ela fixou-se num letreiro, por cima de uma janela, que rezava assim: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche." E então, no meio daquele silêncio envergonhado dos passageiros, que fingem não ver e não se ouvir uns aos outros, ecoou a voz dela, clara e silabada, recitando um poema: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche e que nunca mais a abra."
A mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. Ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. Ensinou-me a abrir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. Ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da Piazza Navone, em Roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. Fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. Quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita.
A outra lição decisiva foi a da liberdade. Não só a liberdade física, não só a liberdade na luta pela justiça, "num sítio tão imperfeito como o mundo", mas ainda a liberdade na busca de um caminho próprio onde as coisas tenham uma ética e façam sentido e, acima de tudo, a liberdade da nossa própria solidão. Prémios, condecorações, homenagens, são-lhe de tal forma alheios que ninguém mais o entende. Dêem-lhe, sim, silêncio e tempo, manhãs como a "manhã da praça de Lagos" e noites com "jardins invadidos de luar". E ela dançará. Ao longo das sílabas dos poemas, como dançava na minha infância.
(MIGUEL SOUSA TAVARES, in Jornal Público, 12 de Junho de 1999)
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.
Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.
(Pablo Neruda, Manhã - soneto XVII, in "Cem sonetos de amor")
NOTA - Porque hoje celebramos 100 anos sobre a data de nascimento do Poeta.
... uma girafa pode limpar as suas próprias orelhas com a língua.
"Há 3 coisas que nunca voltam atrás: a palavra dita, a flecha disparada e a oportunidade perdida"
(Confúcio)
Como se escreve zero em numeração romana?
O que é preciso rever
é o destino, não antigos papeis;
lugares e capítulos de uma vida inteira
anotar ou emendar.
E mergulhar no anonimato,
e ocultar nele os nossos passos,
como foge a paisagem na neblina
em plena escuridão.
Que outros nesse rasto vivo
seguirão o teu caminho passo a passo,
mas tu próprio não deves distinguir
a derrota da vitória.
E não deves por um só instante
recuar ou trair o que tu és,
mas estar vivo, e só vivo,
e só vivo - até ao fim.
(excerto do poema "Hamlet", Boris Pasternak)

Alguém disse que o essencial é invisível ao olhar...
Já toda a gente tropeçou neles, algures, alguma vez... Às vezes com nojo, quase sempre com desconforto, normalmente com alguma coisa a pesar e a doer até ao fundo da nossa alma e da nossa consciência.
Mais que deprimente, é chocante, é quase obsceno o espectáculo da degradação humana socialmente adquirida... E permitida! No início do século XXI, num país membro da União Europeia, pertencente à zona Euro, cumpridor dos critérios de convergência e demais requisitos económico-financeiros que nos permitem fazer parte deste clube privado, onde nos inserimos.
Mas se é chocante ver estas pessoas que bateram no fundo da sua condição social, e às vezes humana, encontrarmos nessas pessoas, homens e mulheres, que já sem condições nem meios, tentam ainda manter um resto de dignidade antes do colapso final, é uma lição de força, coragem e humildade para todos nós, preocupados com as pequeninas aflições mesquinhas do nosso dia-a-dia.
Cruzamo-nos com estes seres humanos na rua: alguns até passariam despercebidos, não fosse pela expressão de alguns dos seus rostos, de alguns dos seus olhares: espezinhados pela vida, pela miséria, pela injustiça e, acima de tudo, pela indiferença de tantos de nós! Por trás daquela expressão mais ou menos vaga, mais ou menos indiferente, algumas vezes quase invejosa, outras muito humilde, está sempre, inevitavelmente, uma gigantesca carga insuportável de miséria e desespero que lhes partiu a alma e a vontade em muitos bocados.
Para os que ainda resistem, para aqueles que ainda lutam para se manterem à tona, ajudá-los é mais do que um mero acto de caridade: é uma obrigação, um dever moral que pende sobre todos nós, sob pena de, em consciência, nos tornarmos aquilo que nem mesmos o pior deles será: indignos!
Ajudar reveste muitas formas, muitas maneiras, muitas caras, muitas mãos, muito trabalho, muitas associações. Todas valem a pena, porque o fim a alcançar justifica largamente todos os meios. Não importa o que se faça desde que seja feito!
Aqui, como em muitos outros casos, o pior de todos os crimes será sempre o da omissão!

Um único ser, mas não existe sangue.
Uma carícia apenas, morte ou rosa.
Vem o mar e reúne as nossas vidas,
sózinho ataca e reparte-se e canta
em noite e dia e criatura e homem.
A essência: fogo e frio: movimento.
("O Mar", Pablo Neruda, in "Cien Sonetos de Amor")
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio d'asas.
- Como quereis o equilíbrio?
(David Mourão-Ferreira, in "Canto I")
Em 1997, as linhas aéreas norte americanas economizaram US$40.000, eliminando apenas uma azeitona de cada salada.
Uma tartaruga sem carapaça, é um sem abrigo ou está nua?