A propósito dos resultados eleitorais ocorre-me tecer um comentário e ocorreu-me também uma letra simplista de uma música não menos simplista mas que há meses atrás durante o Euro 2004 todos cantarolávamos entre dentes: “Menos ais! Menos ais! Queremos mais! Queremos mais! Queremos muito mais!”.
Pode ser que a partir de agora os Portugueses se habituem a ser menos derrotistas e menos resignados e menos apáticos e a encolherem menos os ombros conformando-se com o seu triste destino ou sorte. O nosso destino está nas nossas mãos. Se for triste é porque nada fizemos para o tentar melhorar. Enfrentar os problemas, analisá-los, estudar hipóteses de solução, partir para a luta e com menos queixas e muito menos pena de nós próprios, tentarmos resolver o que está mal e aquilo que não gostamos.
A ver se é desta que crescemos um bocadinho e deixamos de nos portar como criancinhas mimadas e pouco responsáveis a quem os idiotas papás fazem todas as vontades julgando que assim é que se educa alguém.
A ver se é desta que aprendemos a ser responsáveis, coerentes, coesos, íntegros e consequentemente, apesar de algum aparente paradoxo, se apreendemos a ser um pouco mais felizes! Sem baixar os braços e sem desistir à primeira ameaça de contrariedade! A ver...
“O resultado de domingo desanuviou uma outra fronte: a do Presidente da República. O que resulta das eleições é que o resto do mandato presidencial será tranquilo e honroso. O que bem feitas as contas aos seus dois mandatos, não deixa de ser merecido.”
(António Mega Ferreira, “O dia seguinte”, in revista Visão de 2 de Março de 2005)
Ou que é como quem diz: com tantas vozes a criticarem o Dr. Jorge Sampaio pelo seu acto de ter demitido a Assembleia da República, acusando-o inclusivamente de ilegalidade e de actos inconstitucionais, parece que 45% dos Portugueses legitimaram tais actos. Um país de prevaricadores, para quem quiser continuar a tampar o sol com a peneira ou de gente farta de ser tomada por parva e finalmente com coragem para se manifestar, para quem quiser ser honesto!

Seguramente um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. É sempre bom ver que existem pessoas extraordinárias que não perdem a capacidade de nos surpreender pela positiva. Clint Eastwood é sem dúvida uma dessas pessoas. Se como actor nem sempre apreciava os seus filmes para além de uma cotação de serem agradáveis, desde que começou a desempenhar também o papel de realizador, cada filme é melhor que o anterior num crescendo constante. Este é pura e simplesmente uma obra prima sob todos os aspectos!
Há muitos anos, quando estudava literatura anglo-saxónica no Bristish Council, li um livro de um escritor americano, de seu nome J. D. Salinger, chamado "Tha catcher in the rye" de que gostei bastante. O livro é um clássico da literatura norte americana dos anos sessenta e narra os problemas da adoslecência, na pessoa do seu herói, um rapaz de 16 anos, em plena crise, psicologicamente perturbado e a atravessar todas as angústias, dúvidas, temores e certezas pelas quais todos passamos naquela idade. O dito personagem, em determinada fase da história, e colocado face ao dilema do que gostaria de ser em idade adulta, profissionalmente falando, diz que se imagina muita vezes num campo de cevada ("rye"), colocado à beira de um abismo e onde diversas crianças correm em todas as direcções; a sua função seria apanhá-las, evitando que caissem e garantindo, assim, a sua segurança. Integrado no perfil que dele é traçado e na história, esta alegoria faz sentido e percebemos uma personalidade arrogante e desafiante de tudo e de todos mas que acima de tudo quer ajudar aqueles que mais precisam. A sua ambição é ser o "catcher in the rye".
Anos depois voltei a ler o livro e confirmei que realmente era muito bom.
Passado algum tempo, a deambular numa livraria (um dos meus sítios preferidos para deambular), constatei que o livro, na sua tradução portuguesa, tinha recebido o título de "A agulha no palheiro", o que de alguma forma, e para quem o leia, acaba (com alguma boa vontade, há que admiti-lo...) por fazer sentido e ser uma tradução ainda mais metafórica do que a própria metáfora que ele representa. Mas imaginando-me a mim própria a ter de traduzir o título e perante alguma dificuldade pois nada parecia ser tão subtil e tão forte como o título origunal, acabei por aceitar aquela versão.
Recentemente, porém, descobri uma nova edição, da DIFEL, há que dizê-lo, e lamentavelmente não pude verificar de quem é a tradução, porque o ataque de riso que me acometeu impediu-me de qualquer outra acção. É que a nova versão chama-se: À ESPERA NO CENTEIO...
Não que não seja uma tradução exacta, mas...
Conseguimos tirar de cá o Lopes! Finalmente!
Amanhã mais importante do que em quem se vai votar é o próprio acto de ir votar. Por muito batida que seja a frase, votar é mesmo um direito e um dever cívico. Em todo o mundo, diariamente, milhares de pessoas lutam, sofrem, arriscam a vida, a sua e dos que lhes são mais queridos, resistem e morrem pelo direito de votar. Direito que lhes é negado e recusado!
Nós temos a possibilidade de exercer esse direito em liberdade, e consequentemente a obrigação de o fazer, quanto mais não seja por consideração por aqueles que não o têm e não desistem de o tentar conquistar.
Como disse, não importa em quem votamos, não importa se votamos em branco, não interessa se riscamos o boletim ou escrevemos lá um disparate qualquer. Com a abstenção não resolvemos nada; demitir-nos da responsabilidade de escolher não vai evitar que a escolha seja feita. E nestas matérias, deixar que os outros escolham ou decidiam por nós parece-me o síndroma da avestruz que quando atacada enterra a cabeça na areia em vez de procurar uma solução para o seu problema. O final da história é óbvio: a avestruz, animal pouco inteligente, morre e o seu atacante ganha uma bela refeição.
Decididamente, não me identifico com as avestruzes...
Amanhã vamos todos votar. Simplesmente porque temos essa obrigação!
"Encontrando a macaca um ninho de passarinhos, toda contente procura aproximar-se, mas sendo eles já capazes de voar, só conseguiu apanhar o menor. Cheia de alegria, com ele na mão foi para a sua toca; e pondo-se a olhar para o passarinho, começou a beijá-lo; e levada pelo profundo amor, tanto o beijou e revirou e apertou que lhe tirou a vida. Aplica-se àqueles que, por não castigarem os filhos, lhes fazem mal."
(Leonardo da Vinci, 1452-1519, "Bestiário, Fábulas e Outros Escritos")
"Muitos dos nossos problemas devem-se a uma imaginação hiperactiva".
(Dalai Lama)
... ao Dr. Santana Lopes de gravata preta no debate televisivo em sinal de luto pela morte da Irmã Lúcia!
Por favor! Até eu que não sou crente acho que a senhora merece mais respeito do que ter a sua morte a ser utilizada desta forma...
E logo por quem...
... por sua vez, directamente e bem no meio da testa, é o que se pode chamar ao mais recente comentário-baboseira do Alberto João Jardim quando inquirido sobre a suposta notícia em que Cavaco Silva apoiaria o PS nas próximas eleições: "Esse homem (Cavaco Silva) é um energúmeno e devia ser expulso do partido!", disse AJJ do alto da sua integridade...
Se assim fôsse, nem quero pensar de onde o deveríamos expulsar a ele próprio, mas do planeta Terra, assim de repente, está a parecer-me uma boa hipótese...
Bem sei que esta tem já uns dias, mas hoje voltei a comentar a situação com uns amigos e o ridículo da mesma voltou a assolar-me em toda a sua plenitude... Então o nosso ilustre Primeiro-Ministro demissionário pretende processar todas as empresas de sondagens que actualmente prevêem baixa percentagem de voto para o PSD nas próximas eleições de dia 20, caso venha a ganhar as ditas cujas.....??? Mas será que este homem perdeu completamente o sentido do decoro e a própria sanidade mental.....??? E será que ninguém o cala....? Será que ele ainda não percebeu que cada vez que abre a boca faz campanha a favor de todos os outros partidos juntos e contra si próprio...??? Isto já não é sequer um tiro no pé; ele já atinje orgãos vitais próprios....

Bem sei que já não é novidade mas adoro este CD! Consigo ouvi-lo vezes sem conta sem nunca me fartar! E o concerto no Coliseu? Foi fantástico!
Embora saiba voar, o pássaro acaba sempre por ter de pousar na terra.
(Provérbio Tibetano)

"Sem esquecer, é claro, que se não existisse tudo o que não são plantas, nem tudo o que não é água, tanto uma coisa como a outra não existiria. A água é tudo quando não acaba em nada, nem no pingo que ainda pinga - ou já não pinga - dos ramos da Roseira, nem no charco que alaga o calhau da Calçada."
(Manuel Zimbro, "O mundo, visto da terra, aqui à volta de casa")
Talvez o nosso passado seja uma âncora que nos prende a quem nós já fomos, e que temos de largar para nos podermos transformar naquilo que seremos.